Fichamento - Animação Cultural
O texto “Animação Cultural”, de Vilém Flusser (1998), reflete sobre a relação entre humanidade e objetos, propondo a inversão dos pontos de vista: em vez de instrumentos subordinados ao homem, os objetos passam a assumir papel ativo na organização da vida social. O autor, por meio de uma narrativa ficcional em que uma mesa-redonda conduz uma assembleia de objetos, questiona a justificativa humana de que os objetos existem apenas como produtos criados para servi-los. ]
Flusser diz que tal visão é uma ilusão, pois ignora que os objetos são fruto de uma dialética da produção, a síntese entre a ação humana sobre o mundo e a ação do mundo sobre os homens. Assim, eles não podem ser reduzidos a escravos da humanidade, mas configuram uma realidade autônoma.
O filósofo argumenta que a modernidade acelerou esse processo, ‘’as decisões dos aparelhos científicos assumiram complexidade suficiente para escapar ao controle da humanidade”. Isso demonstra que a técnica e a ciência deslocaram os objetos de uma função meramente instrumental, conferindo-lhes um papel central na organização cultural.
Essa inversão é sintetizada quando o narrador-objeto afirma: “Em vez de funcionarmos em função da humanidade, esta passa a comportar-se em função do nosso próprio funcionamento. Passamos nós a ser os animadores da humanidade”. A cultura material, portanto, não apenas expressa valores humanos, mas condiciona e programa o comportamento dos indivíduos, tornando-os dependentes daquilo que produzem.
O tema do texto, assim, é a autonomia dos objetos e sua função de animadores da cultura, o que representa uma crítica à visão antropocêntrica tradicional. A ideia central consiste em mostrar que, ao longo da história, os objetos deixaram de ser simples extensões do homem para se tornarem forças ativas, capazes de estruturar e determinar a vida social.

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